APRENDIZAGEM SOBRE ENERGIA ATRAVÉS DO TAI CHI, TUEI SHOU, PUSH HANDS, MEDITAÇÃO E OUTROS BENEFÍCIOS.

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Recentemente, estudando Pushing Hands com o Professor Tsai, ele me dizia muito a palavra “ceder”. Na prática, era preciso que eu cedesse bastante para não ser “vencida”. Percebi que quanto mais eu cedia, mais me cansava as pernas. Isso me fez refletir sobre o fato de que todo aprendizado requer um esforço. Mesmo aprender a ceder, também pode ser um processo muito trabalhoso, e que quanto mais me cansava a base (ou seja, as pernas), mais livre o resto do meu corpo ficava para seguir o treino num fluxo favorável.

Justo na mesma semana dessa reflexão, o Professor começou o capítulo 26 do Tao te Ching na aula de grupo com a seguinte frase: “O peso é a raiz da leveza”. E mais do que nunca essa frase fez sentido para mim, justamente porque eu havia experimentado no meu corpo sua veracidade. Quanto mais uma árvore enraíza, mais ela pode balançar ao vento sem risco de queda. O peso está embaixo, onde a força da gravidade já nos indica. Nós temos a tendência de deixar o peso subir, recebendo com a força da parte superior todos os impactos do mundo, e isso nos atinge, nos derruba. É como se uma árvore tentasse vencer o vento pela força das folhas e não pelo enraizamento. Simplesmente não faz sentido, mas é exatamente esse comportamento que nós normalmente adotamos.

Enquanto não trabalhamos nosso interior para essa mudança de comportamento, não conseguimos ceder fisicamente. O corpo reflete aquilo que o interior permite. E não é um processo rápido. Cada um leva o tempo que lhe couber para essa mudança. Precisamos abandonar o imediatismo porque ele nos atrapalha o caminho. Na busca do Tao, nenhum atalho serve. Nossa mania de procurar sempre opções rápidas e resumidas, não serve. Porque o caminho que seguimos segue o ritmo da Natureza, e nada nela se apressa. As coisas levam o tempo que tiverem que levar. É impossível acelerar o amadurecimento de uma fruta, a formação de um bebê, o ciclo da lua, a duração do dia. Quando buscamos atalhos, é porque esquecemos que as forças que regem todo o Universo, também nos rege. Não temos o poder de andar à frente dele. Andamos junto com ele, porque fazemos parte dele. Estamos em contato, colados, continuando e seguindo – assim como fazemos na prática do Pushing Hands.

Até pouco tempo atrás eu tinha a sensação que o estudo do Tao era como uma nova lente na frente dos meus olhos, e que por essa lente eu começava a rever todas as coisas que acreditava conhecer até então. Hoje, ao contrário, sinto que o estudo do Tao é justamente a retirada de todas as lentes que eu tinha para enxergar o mundo. O estudo do Tao é a busca de ler o mundo da maneira mais crua, essencial, verdadeira possível.

Também sinto hoje que eu tenho um Norte a seguir. Antes eu me sentia um tanto à deriva, sobre todos os aspectos da vida. Sentia que eu estava sempre à mercê das circunstâncias. Agora eu tenho um grande Norte que me orienta e que me deixa segura de que minhas escolhas são baseadas em algo realmente verdadeiro, e não apenas nas minhas vontades momentâneas. Porque nós somos seres muito volúveis e inconstantes, mas a prática de energia e a reflexão diária acabam se tornando instrumentos poderosos para estabilizarmos nossa mente/espírito, anulando cada vez mais o ego e seguindo em frente sem nos distrairmos e desviarmos o caminho. E mesmo que isso aconteça, temos a dica de como retornar. Muito mais importante do que não errar, é manter a humildade de reconhecer e recomeçar.

Agora que completei meu primeiro ano como professora de Tai Chi, percebo o quanto é difícil as pessoas incorporarem na própria rotina uma prática que ocupa apenas alguns minutos do dia. No início, a única coisa que precisamos nos comprometer é a praticar a postura do Abraço da Árvore, diariamente. Isso realmente leva alguns poucos minutos, mas ainda assim a maioria das pessoas encontra dificuldade de pegar as rédeas do próprio tempo nas mãos, assim como eu também tive dificuldade no início. Mas se não dermos esse primeiro passo, aparentemente simples, que é começar a ter constância (assim como todas as coisas da Natureza), de que forma os próximos ensinamentos poderão de fato chegar até nós?

Eu sinto um grande prazer em poder dar essas aulas, porque sei que estou entregando para as pessoas uma chave que pode abrir muitas portas se elas a pegarem nas mãos. Digo isso porque tenho tido a experiência no meu próprio corpo sobre todos os benefícios que tenho recebido desde que comecei a me dedicar a esse caminho:

– Eu saí de um estado permanente de irritação e descontentamento, me tornando uma pessoa muito mais tranquila e tolerante;

– Nunca mais tive crises de síndrome do pânico (era algo que simplesmente me impedia de viver em paz);

– Curei uma série de infecções urinárias que me levaram a um estado ainda pior de pânico porque a medicina tradicional ocidental não conseguiu resolver com nenhum remédio;

– Melhorei minha capacidade de concentração (sempre fui muito dispersa para aprender e escutar os outros);

– Já consegui estabilizar consideravelmente minha coluna cervical (tenho duas hérnias de disco na cervical, que há anos me geravam enxaqueca a ponto de vomitar de dor, tontura, pinçamentos constantes, muita dor e limitação de movimento). Diria que hoje esses sintomas já diminuíram 80% e eu sigo me dedicando para melhorar ainda mais;

– Minha TPM tornou-se muito mais amena, sem grandes oscilações de inchaço e nem de irritação;

– Sinto muito menos frio. Antes eu tinha os pés sempre muito gelados, mesmo usando mais de uma meia. Eu tinha a sensação de “frio nos ossos” dos pés, e isso passou;

– Estou com a imunidade mais alta. Eu era muito vulnerável para pegar gripes e resfriados.

Esses são alguns exemplos. Mas eu resumiria tudo isso dizendo que encontrei uma maneira de ficar em paz internamente, e que me sinto muito grata por ter a chance de reparar a tempo os danos que permiti que meu corpo sofresse até aqui. Hoje tenho a consciência de que saúde (em todos os aspectos) é algo que se cultiva, e não que se gasta até que seja preciso remediar.

Nossa cultura é muito baseada no excesso. Usamos e abusamos do nosso corpo, até que a bateria descarregue, e então adoecemos, nos remediamos com drogas, e recomeçamos o ciclo de gastar até a última gota de energia, para então novamente adoecermos… E assim seguimos esse padrão, entendendo ele como algo normal. Mas normal mesmo é ter saúde sempre. E isso nós podemos aprender a cultivar. A maioria das pessoas só pensa na saúde quando sente que ela está muito abalada, e isso eu aprendi pela minha própria experiência.

Dia desses, observando de canto de olho o professor executar o exercício que chamamos de “Reforço”, percebi que ele fazia de uma forma muito diferente de nós alunos. Quando perguntei a ele o motivo, ele disse que naquele momento sentiu que a energia já estava fluindo, e que então não precisava de todos os movimentos que normalmente nós fazemos. Achei muito interessante perceber que os mesmos exercícios têm muitos níveis de entendimento, dependendo do estágio em que você se encontra. Na prática do Tai Chi não existe essa frase “já entendi esse exercício”, ou “já o conheço o suficiente”. Todo material do Tai Chi pode e deve ser revisitado sempre, porque a nossa percepção sobre cada exercício irá se modificar e evoluir na medida em que avançamos. Culturalmente, toda nossa organização de estudos é baseada em conteúdos que assimilamos, superamos e passamos para o estágio seguinte. Mas o treino de energia não segue essa lógica. Não existe linha de chegada, conclusão de curso. É um estudo como uma caminhada, e não como uma competição de corrida.

O Professor sempre diz “o Tao é sempre justo”. Quanto mais você se entrega e pratica, mais benefícios ele te dá. Diferente da sociedade. A sociedade não é justa. Socialmente pode ser que você se esforce e se dedique muito, e ainda assim não obtenha benefícios ou sucesso. Mas o Tao é justo, porque ele é anterior a qualquer construção social. Ele é aquela verdade essencial que está por trás de todas as lentes que recebemos para ler o mundo.

Eu me sinto muito grata por ter a oportunidade de aprender coisas tão importantes, que transformaram profundamente minha qualidade de vida e minha relação com meu corpo e com o mundo. E me sinto igualmente grata por poder transmitir isso às pessoas que procuram a aula de Tai Chi. Essa função me dá um sentido. Sabe quando você está na rua e alguém te pede uma informação que você não sabe exatamente a resposta? Você sabe que o lugar que ela procura fica meio por alí… você vasculha sua cabeça e não consegue encontrar a direção certa para dar… você queria muito saber para ajudá-la, afinal você sempre esteve naquela região, mas acaba de descobrir que não a conhece tão bem a ponto de orientar o outro. Por fim você pede desculpa e diz que não sabe. Eu me sentia assim depois de anos como professora de outras práticas corporais: Frustrada por não conseguir orientar o caminho. Eu conhecia o corpo, mas faltava alguma peça.

O estudo de energia me abriu então essa porta, e enquanto sigo caminhando e aprendendo, posso fazer o convite àqueles que buscam ajuda: “Você pode vir por aqui junto comigo”.

 

06/04/2017 Flávia Lucato

E-Mail: flavia_lucato@yahoo.com.br

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Comentários feitos pelo professor Tsai sobre os 10 princípios básicos do Tai Chi Chuan

Comentários do professor Tsai, do Centro Taoísta de Cultivo da Longevidade, sobre “Os 10 Princípios Básicos (The 10 Basic Principles)”. Aula ministrada em 20 de agosto de 2016.

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Tai chi é uma arte sofisticada com muitos estilos e formas diferentes. Apesar das muitas variações de tai chi, o seu poder imenso para melhorar a saúde e energia interior deriva de um conjunto de princípios essenciais. Apresento aqui os mais importantes, os 10 princípios básicos ditados pelo Mestre Yang Cheng-fu, descritos aqui de forma simples e fácil de entender. Tendo-os em mente enquanto você aprender e praticar, você vai ser capaz de praticar um tai chi mais eficaz desde o início.

Comentário:

Professor Tsai elogiou a iniciativa do artigo e enxerga muito valor nessa “codificação” dos princípios básicos em 10 princípios básicos. Mas, alerta para alguns erros de tradução e interpretação. Os alunos, por sua vez, elogiaram as ilustrações – que trazem uma melhor compreensão do texto.

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1 – 虛靈頂勁: Suspender a cabeça com leveza e sensibilidade: fique ereto e mantenha a cabeça e o pescoço naturalmente eretos com a mente concentrada no topo da cabeça, assim, o espírito (Shen) chegará bem alto. Não se deve usar de força. Se a força é usada, a parte de trás do pescoço ficará rígida, e o sangue e o Chi não serão capazes de circular. Deve haver um sentimento de naturalidade e leve sensibilidade. Sem essa energia sensível no topo da cabeça, o espírito não poderá elevar-se.

Comentário:

Aqui temos as instruções passadas durante o “abraço de árvore”, ou seja, o fio imaginário que puxa o topo da cabeça, lembrando de recolher o queixo. Alongar as costas e “segurar o peito” ao mesmo tempo que se mantém uma leve soltura.

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2 – 含胸拔背:Afundar o peito e alongar as costas: mantenha o peito ligeiramente para dentro o que o capacita a afundar ou submergir a respiração no Tan Tien (baixo ventre). Não deixe o peito para fora (protuberante), pois isto vai fazer com que a respiração torne-se difícil e o topo da cabeça pesado. Isso tende a causar uma instabilidade nas solas dos pés. “Alongando as costas” significa que o Chi permanece nas costas. Se se é capaz de afundar o peito, as costas subirão naturalmente. Se se é capaz de elevar as costas, então a força sairá das costas e se pode vencer qualquer adversário.

Comentário:

Em nenhum momento do nosso treino de energia nos preocupamos com a respiração. Esta, na verdade, é resultado da postura correta no treino de energia. A conexão é muito importante e mantê-la é essencial para que o treino não seja apenas uma coreografia.

3 – 松腰: Relaxar a cintura: A cintura é o controle do corpo. Se a cintura está relaxada, os pés terão força e nossa base estará firme. Todos os movimentos dependem da ação da cintura. Os movimentos desajeitados no Tai Chi Chuan surgem de ações erradas da cintura. Todas as trocas entre cheio e vazio vêm da rotação da cintura. Portanto, diz-se que a cintura é a área mais vital. Se nós perdermos força, devemos procurar a causa na cintura.

Comentário:

Em todas as aulas e treinamento falamos sobre a importância de soltura; de deixar a cintura mais solta para tornar o movimento redondo. É essa forma correta da cintura que permitirá que o próximo passo – o cheio e o vazio – sejam alcançados.

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4 –分虛實:  Distinguir entre o cheio e o vazio: é de suma importância no Tai Chi Chuan distinguirmos entre “Xu” vazio e “Shi” cheio. Se o peso do corpo está na perna direita, então a perna direita está cheia e a esquerda está vazia, e vice versa. Quando conseguimos separar o cheio do vazio, giramos o corpo levemente sem usar força. Se não conseguimos separar, o passo é pesado, rígido e vagaroso, e a posição não é firme, a postura torna-se instável e desfavorável ao equilíbrio.

Comentário:

Dividir o cheio e o vazio, alternando-os durante a movimentação. Esse cuidado é que vai garantir uma postura confortável e relaxada, que resultará na alternância e circulação de energia.
5 – 沉肩墜肘: Relaxar os ombros e soltar os cotovelos: devemos manter os ombros na posição natural e relaxados. Se elevamos os ombros, o chi vai subir com eles e todo o corpo vai ficar sem força. “Baixar os cotovelos” significa que os cotovelos relaxam e pendem para baixo. Se os cotovelos estão altos, os ombros não podem afundar e não podemos mover nosso corpo de forma suave. Então, não seremos capazes de empurrar nossos adversários muito longe, e estaremos cometendo o erro de quebrar a energia.

Comentário:

Na análise do professor Tsai, no item 5 há incorreções. Ao afundar os ombros, o antebraço naturalmente vai descer. É importante, também, não confundir esse relaxamento em uma postura “mole”, sem vida. É necessário manter um vigor que não deve ser associado à tensão ou rigidez.

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6 – 用意不用力: Usar a mente e não a força muscular: Na prática do Tai Chi Chuan todo o corpo está

relaxado. Se nós podemos eliminar mesmo a mais leve das inabilidades que criam obstáculos nos tendões, ossos e vasos sanguíneos, e que restringem a nossa liberdade, nossos movimentos serão leves, ágeis circulares e espontâneos. É extraordinário como nós podemos ser fortes sem usar a força. Os meridianos do corpo são como canais de água na terra. Quando os canais estão abertos a água flui livremente, quando os meridianos estão abertos o Chi passa por eles. Se a rigidez bloqueia os meridianos, o Chi e o sangue serão obstruídos e nossos movimentos não serão ágeis, então se até um cabelo é puxado, todo o corpo será abalado. Se, por outro lado, nós não usamos a força mas a mente, onde quer que a mente vá o Chi seguirá. Dessa forma se o Chi flui sem obstrução diariamente, penetrando todas as passagens no corpo inteiro sem interrupção, então depois de um longo tempo de prática teremos adquirido um poder interno verdadeiro. Isso, então é o que no “Tratado do Tai Chi Chuan” significa -“somente da mais elevada suavidade vem a dureza.” Os braços dos que dominaram o Tai Chi Chuan são como ferro oculto no algodão, e são extremamente fortes. Isto é o que os expertos em Tai Chi Chuan chamam de: “Flexível na aparência, mas poderoso na essência”.

Comentário:

Na análise do professor Tsai, falta dizer que é importante usar a intenção – não usar a força. Chama a atenção para o uso do olhar durante todo o processo, todo o movimento. O olhar suave acompanha toda a alternância de movimentos das mãos.

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7 –上下相隨:  Interligar os movimentos da parte superior e o inferior do corpo: A união ente o baixo e o alto do corpo é o que no “Tratado do Tai Chi Chuan” significa – “ a raiz está nos pés, é dirigida através das pernas, controlada pela cintura, e expressada nas mãos.” Dos pés para as pernas, para a cintura, deve haver um circuito contínuo de Chi. Quando as mãos, cintura e pés movem-se, o espírito (shen) dos olhos movem-se em uníssono. Isso pode ser chamado de “união entre o baixo e o alto do corpo.” Se apenas uma parte não está sincronizada, haverá confusão. Se alguma parte para de mover-se, então os movimentos serão desconectados e cairão em desordem.

Comentário:

Céu e terra se unem. Essa é uma analogia para o movimento sincronizado. Não devemos esquecer que os pés devem “agarrar” o chão, um movimento natural e instintivo. Assim formando o corpo como um uno, chamado 整勁 ( energia dinâmica integrada).

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8 – 內外相合: Harmonia entre o interno e o externo: praticando o Tai Chi Chuan o foco está na mente e na consciência. Assim dizem: “O Espírito (Consciência) é o comandante e o corpo é o subordinado”. Se podemos elevar o Espírito com a mente tranquila, então os movimentos serão naturalmente suaves e graciosos. As posturas não vão além do cheio e vazio, abrindo e fechando. Aquilo que é chamado abrir, significa que não apenas as mãos e os pés estão abertos, mas a mente também está aberta. O que queremos dizer com fechando, também não está limitado às mãos ou pés, mas também devemos ter a ideia de fechamento da mente. Quando o interno e o externo estão unificados como um Chi, não há interrupção em qualquer parte. Quando pudermos fazer com que o de dentro e o de fora se tornem um, a coordenação será completa e a perfeição será atingida.

Comentário:

Dentro e fora devem estar unidos; integrados ao movimento. Os movimentos externos do Tai Chi se comunicam com os orgãos e as vísceras internas através dos meridianos energéticos.

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9 – 相連不斷: Mover-se com continuidade, sem rupturas: No Tai Chi Chuan nós usamos a mente e não a força. Do início ao fim não há interrupção. Tudo é completo e contínuo, circular e infinito. Isso é o que os Clássicos se referem como – “como um grande rio correndo sem fim”, ou “movendo a energia como enrolando a seda de um casulo.” Tudo isso expressa a ideia de unidade como o Chi.

Comentário:

É muito importante que não haja quebra do movimento; que seja sem parar, sem interrupções. Redondo. O Tai Chi representa o movimento contínuo.

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10 – 動中求靜: Buscar a quietude dentro do movimento: no Tai Chi Chuan o movimento é
combinado com a tranquilidade e enquanto se executa os movimentos se mantém a tranquilidade da mente. Na prática da “Forma”, quanto mais lento o movimento, melhores resultados são conseguidos. Isto acontece porque quando os movimentos são lentos, pode-se respirar profundamente e submergir o Chi no Tan Tien (baixo ventre) e isso evita os efeitos nocivos da pulsação elevada, o que produz um efeito suavizante no corpo e na mente. Aprendizes de Tai Chi Chuan irão conseguir uma melhor compreensão de tudo isto, através de estudo cuidadoso e prática persistente.

Comentário:

Ao longo da prática, manter o eixo. Isso significa que mantemos a serenidade do movimento, alcançando a tranquilidade, mesmo em movimento.

 

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Relato do Tao Te Ching . Capítulo 80 . Aula de Tai Chi – 27/02/2016

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Em um povoado, Estado ou qualquer espécie de agrupamento humano, as pessoas, com o passar das gerações, desenvolvem ferramentas, utensílios e aparelhos sofisticados destinados a abreviar suas atividades diárias. Estas ferramentas executam com mais rapidez e eficiência estas tarefas que em outros tempos eram feitas manualmente e demandavam mais tempo.

 

Lao Tsé, no entanto, nos ensina que nem sempre estas ferramentas propiciam as facilidades que nos são adequadas ou que estejam de acordo com o Tao. Estas supostas “facilidades” somente existem em decorrência do que chamamos atualmente de capitalismo, onde tudo o que se faz deve ser mais rápido e em maior quantidade do que o feito ontem, objetivando sempre  aumentarem os lucros.

 

Ele ainda observa que na antiguidade nossos antepassados viviam tranquilamente, sem muita pressa e não dependiam das tantas facilidades e tecnologias atuais.

 

O ser humano está se tornando cada vez mais tenso, ansioso, imediatista, belicoso e por isso está trocando seus preciosos momentos de paz e conexão para ocupar-se ao máximo em acumular bens materiais. Dessa forma, está cada vez mais distante de suas raízes (o Tao), substituindo seu ambiente natural por um mundo artificial e ilusório, buscando encontrar no exterior coisas que supostamente preencheriam seu vazio interior.

 

O ser humano desaprendeu que a real felicidade está nas coisas simples, no que é tranquilo e calmo, no que é fácil e não necessita tanta rapidez ou soluções mirabolantes. Ele se esqueceu de que seu corpo tem um “timing” próprio, natural e forjado por milhares e milhares de anos de evolução, desde que surgiu neste pequeno ponto azul mergulhado na imensidão do Universo. O ser humano insiste em esquecer-se das premissas básicas de sua fisiologia, tentando sem sucesso adaptar-se e uma realidade que não lhe corresponde.

 

Não percebeu ainda que seu atual estilo de vida é muito recente em comparação a todos os anos que tem habitado este planeta e que seu corpo ainda não está adaptado energeticamente a todas essas loucuras e urgências atuais. Sua configuração energética é praticamente a mesma do homem das cavernas, que vivia numa época muito menos turbulenta e de menos atribuições, embora estivesse em constante busca por comida e abrigo. Mas a diferença é que ele obedecia unicamente a seus instintos naturais de tempo e esforço, mantendo-se muito mais conectado à natureza em comparação ao homem moderno.

 

O Profesor Tsai, a exemplo disso, nos lembra que antigamente o ser humano dispendia muito tempo para percorrer grandes distâncias (de um país a outro, por exemplo) e que, ao longo do caminho, gradualmente ia se adaptando às mudanças climáticas e de fuso horário dos locais por onde passava. Dessa forma quase não sentia o choque das grandes diferenças de clima, tempo e fuso horário de um lugar a outro.

 

E foi dessa forma que nosso organismo foi configurado.

 

No entanto, hoje as pessoas podem viajar através de distâncias incrivelmente maiores e em muitíssimo menos tempo. Mas isso obviamente faz com que sintam muito mais o choque climático e de fuso horário, que na maioria das vezes causa mal estar, cansaço e demanda dias até a adaptação completa.

 

E esta é apenas um pequena demonstração de que a forma como levamos nossa vida está em desacordo com o Tao de nossa energia. As urgências criadas pelo capitalismo não nos permitem que vivamos de acordo com nossa natureza e ritmo biológico. Estamos tentando adaptar nossa configuração energética e fisiologia próprias ao mundo artificial que estamos criando, quando deveríamos seguir um estilo de vida condizente com nossa natureza.

 

Não percebemos que essa loucura que estamos criando está gerando desgaste energético, doenças, ansiedade e tensão. Em razão disso as nações estão se tornando gananciosas a ponto de quererem invadir sa outras, roubar suas riquezas e dominar seu território.

 

Esse comportamento está fazendo com que infelizmente percamos um pouquinho de nossa humanidade a cada dia, está propiciando a eclosão de guerras e cada vez mais conflitos, está gerando desarmonia, doenças e fome, quando o que deveria ocorrer seria exatamente o contrário.

 

Portanto, podemos facilmente concluir, diante dessas observações, que seria melhor para a humanidade e pro planeta em si que o ser humano colocasse “os pés no freio”, soubesse imprimir menos urgência nas coisas e fosse menos ganancioso. Então ele veria que a maioria das ferramentas, instrumentos e dispositivos criados por ele seriam totalmente dispensáveis à sua felicidade.

 

O ser humano ainda não se deu conta de que não precisa de muitas coisas e artificialidades para ser feliz, mas há tempos já perdeu sua conexão com a natureza e está buscando exteriormente algo que preencha seu interior. Muitos já não conseguem mais vislumbrar uma vida feliz e plena sem a tecnologia exacerbada, que faz seus carros de ultima geração, seus smartphones e seus computadores.

 

E veja que Lao Tsé já advertia sobre esseperigo há mais de dois mil anos, portanto, essa inquietude do ser humano já existe há muito tempo e, a cada ano que se passa, a situação se agrava. Vejam por exemplo os casos de depressão, hipertensão e câncer que aumentam a cada década. Isso comprova o quanto estamos nos distanciando de nossa origem com o passar dos tempos e o quanto isso nos está causando enfermidades físicas e psíquicas.

 

Portanto, o sábio não se deixa levar pela ganância e evita desgaste energéticos desnecessários.

 

O sábio fica centrado, fazendo sossegadamente seu trabalho, evitando recorrer às inúmeras artificialidades, ferramentas e tecnologia em excesso.

 

Agindo todos assim, um país jamais necessitaria invadir ou dominar outro, pois toda sua população já se bastaria por si só, sem precisar tirar do outro o que não lhe pertence.

 

Estando conectados e simples de coração jamais sofreremos tais adversidades, não nos molestaremos e sempre estaremos saudáveis.

04/03/2016   Paulo Ricardo

E-Mail:  paulobonciani@hotmail.com

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Capitulo 80 – Não busque fora. Recolha.

 

Antigamente vivia-se muito bem, em harmônica com a vizinhança, sem almejar grandes sonhos. Os governantes sábios sabiam como deixar o povo feliz.

 

Vivia-se de forma pacifica dentro do mundo que lhe foi concedido. Sem grandes ambições, adequando-se ao meio que se vivia. Em paz, em harmonia, em suas singelas casas. Satisfeitos com o que se tinha, com as suas famílias, com as suas vestes, com o que se tinha para comer. Vivia-se feliz, convivia-se feliz. Não precisava ir longe. Não precisava de carros ou barcos – não eram necessários. Não precisava de armamentos – não seriam utilizados.

 

Cada povo adaptado no seu mundo.

 

Não era necessário ir buscar no mundo de fora o que no seu lugarejo não tinha. O mundo era autossustentado, com autossatisfação.

 

Mas a hipervalorizarão do mundo material provocou uma necessidade de busca por um mundo melhor, com uma falsa imagem de que o que não se tinha (o que está lá fora) era importante e era melhor.

 

A tecnologia nos proporcionou maior rapidez e precisão na elaboração de várias coisas, porém será que ela realmente está ajudando o homem? Proporcionou um conforto maior, porém com isso, perdeu-se muito a nossa tão preciosa saúde e tranquilidade. No mundo atual, tem-se pressa para tudo. A tecnologia não alcança a pressa do homem; pelo contrário, aumentou ainda mais a necessidade de se fazer ou conseguir algo mais rápido ainda…

 

Os ensinamentos de Lao Tse nos faz conscientizar que a tão sonhada paz (e felicidade) não está fora e nem longe. Está dentro de nós. No local onde vivemos, no nosso lar, no nosso trabalho, no nosso convívio, no nosso corpo.

 

Busquemos dentro de nós a nossa verdadeira identidade, que é luz, é energia. Deixemo-la fluir como de fato ela é: leve, sutil, brilhante. A prática da meditação nos conduz a esse caminho. Recolha. Deixe o mundo exterior e busque o vazio, o uno (o tudo e o nada) no mundo interior. É o verdadeiro caminho do Tao.

 

Equilibre-se, alinhe-se (toque de cabeça, tan tien, cóccix), centralize-se com os exercícios do abraço da árvore. Fortaleça a sua base, de forma natural. Conecte-se com a natureza e se energize.

 

Continuemos a praticar, diariamente, assim como o sol que um dia após o outro nos proporciona a luz que propicia a vida na Terra e, assim como as arvores, de forma tão sublime e serena, no trabalho incessante em oferecer oxigênio a todos os seres viventes deste planeta.

 

Meus sinceros agradecimentos à nossa mãe natureza.

 

29/02/2016  Iracema Ioco Kikuchi Umeda

E-Mail: iikumeda@hotmail.com

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Relato do Tao Te Ching . Capítulo 78 . Aula de Tai Chi – 13/02/2016

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A Virtude da Água

Nesse capitulo, Lao-Tsé ensina que nossos atos deveriam ser todos baseados nas virtudes da Água. Na Natureza nada é tão suave, branda e tolerante como a Água.

O Tao mostra que a água ao mesmo tempo que é suave e calma, pode ser forte e destrutiva. A mesma água que traz paz, traz destruição. A mesma água que é pura, carrega todo lixo e sujeira. A água que dilui e purifica, pode ter a força capaz de cortar até mesmo a mais rígida pedra. A fraqueza da água vence a força e a suavidade vence a dureza. Como diz o ditado popular: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.”

A Água está presente em todas as formas de vida do planeta. Desde os seres mais puros e límpidos até os mais sujos e impuros.

A Água é humilde pois não fica no topo, no lugar mais alto, contrário ao ser humano que sempre quer o Pódio. Ela não quer o pico das montanhas, fica onde ninguém deseja ficar, nos vales. Quando ela nasce corre direto para a terra, para os buracos, entra nas fendas mais estreitas, se esconde. Ela se doa sem exigir nada em troca.

O Tao nos ensina que como a Água, devemos ser humildes, servir sem esperar a troca, o retorno. Nunca almejar o topo, doando-se sem esperar nada de volta.

A Água desloca-se sempre pelo caminho mais fácil, que não quer dizer que é o mais curto, nem o mais tranquilo. Ela segue pelo caminho natural.

Como o Prof. Tsai já ensinou, o Homem sempre escolhe o caminho mais curto, onde dispensamos energias que poderiam ser utilizadas de outras formas, para outros fins, ou até mesmo poupadas.

A Água flui naturalmente e quando encontra uma pedra ou obstáculo pelo caminho, ela não para ou perde sua energia tentando vence-la ou arrasta-la. Ela simplesmente contorna a pedra ou o obstáculo e segue seu caminho, mantendo seu fluxo.

E assim o Tao ensina que na Vida tudo é fluxo constante. A vida é uma constante mudança, para uma evolução pessoal e espiritual. Como a água, o fluxo da vida não é se deixar levar simplesmente mas sim, aproveitar o que for necessário e eliminar o que não serve mais.

Como a Água devemos fluir por onde é possível. A Água não pensa na distância ou nos obstáculos que poderá encontrar pela frente, ela flui em direção do seu objetivo. Ela não tem Ego ou fica ansiosa, nem se aborrece. Ela sabe que seguindo seu caminho, de uma forma ou outra, chegará ao seu destino, independente da distância a ser percorrida.

E mais uma vez o Tao mostra como devemos seguir em nossa vida: O fluxo de Vida se inicia quando temos um sonho, um objetivo, isso nos dá motivação e força para seguir, nos dá um sentido na Vida. Devemos seguir o caminho sem se preocupar com a distância, desviando dos obstáculos, apenas fluir.

Da mesma forma, quando a água encontra um buraco ou desnível, ela cai para o fundo ficando lá, acumulando-se até que possa atingir a borda. Somente quando o seu nível se eleva até que possa ultrapassar novamente a borda preenchendo todo o buraco, ela consegue sair. Desta forma está pronta para seguir seu caminho e continuar sua missão.

O Tao ensina que devemos ser como a Água: quando encontramos uma situação de dificuldade, muitas vezes sentimos que estamos no fundo do poço. Lá ficamos, esperando, acumulando conhecimento, apreendendo com nossos erros e utilizando esse tempo a nosso favor. Até que alcancemos a borda do poço para sair e seguir nosso caminho. Como lição de vida aprendemos que com Calma e Paciência, ganhamos confiança para continuar a fluir.

O Prof. Tsai sempre nos fala que na água turva, agitada não vemos seu fundo ou sua pureza. Assim como em um agitado não podemos ver seu fundo, em uma mente agitada e confusa, não podemos ver claramente o que está adiante. Mas quando a água se torna calma, tranquila, em repouso, ela fica cristalina. Da mesma forma também é nossa mente. Quando aquietamos nossos pensamentos, encontramos as respostas para todas as nossa dúvidas. Exemplo claro de como dizia Albert Einstein: “Você não pode resolver um problema como o mesmo estado de espirito que o criou”.

O Tao nos mostra a dualidade da Água: a mesma água calma, tranquila e serena deve ser respeitada ou poderá ser tornar uma ameaça terrível. Movimentar seu curso, destruir seu caminho, represar sua força ou usa-la de forma irresponsável, pode trazer grandes consequências. A Água exige respeito e não devemos menosprezar sua força.

O exemplo mais recente e ainda vivo em nossas mentes é o caso da barragem que se rompeu em Mariana – MG. Milhões de litros de água calma, parada, devastaram a cidade inteira trazendo consequências irreparáveis até hoje para todos. Outro exemplo são as chuvas, que representam milímetros de água, quando medidas num pequeno espaço de terra, mas que são terrivelmente destrutivas, quando acumuladas em grandes quantidades sem ter para onde escorrer. A água acaba levando tudo que encontra pela frente e ela está apenas seguindo seu caminho….

Se pensarmos mais a fundo, entendemos como a Água é única. A mesma água que bebemos hoje, já foi Chuva, Rio, Gelo, Vapor, Lagrima, Orvalho, Urina e Mar. Sua origem remota as estrelas, ao Cosmos. Nela contem simplesmente toda a história do Planeta. A Água é sábia, é sagrada.

A Água pode ser líquida, gasosa ou solida.

Ela é mutável, se adapta ao ambiente que está.

O Tao ensina que assim devemos ser também. Nosso estado de paz, de bem estar, de equilíbrio e evolução está ligado a nossa capacidade de adaptação ao meio, sem mudarmos nossa essência.

Devemos suportar os males, sujeiras, obstáculos e se nos tornarmos sábios como a água, permanecendo serenos na dor, o mal não entrará em nossos corações. Se nos permitirmos fluir como a água, tudo se acalmará e se resolverá.

Entretanto, os Homens, os Governantes não enxergam desta maneira e agem de forma contraria, tirando tudo do povo, agindo contrários ao fluxo Natural da Vida, o que só traz sofrimento ao Povo.

 

29/02/2016  Leticia Sayuri

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A Virtude da Água

 

A água é elemento mais flexível, maleável e suave da natureza. É adaptável a qualquer forma onde está contida e pode tranquilamente fluir por qualquer fresta, caminho ou passagem independentemente de seu tamanho.

 

No entanto, nem os materiais mais duros podem “vencê-la”. A água, pela ação da erosão realizada com sábia paciência e indiferença ao longo dos tempos, no meio natural tende a corroer e desgastar qualquer material, desde rochas vulcânicas e calcárias a até mesmo estruturas de ferro e concreto feitas pelo homem.

 

Outro exemplo interessante da força deste elemento tão maleável e destruidor são os instrumentos de corte de materiais rígidos, utilizando-se de potentes jatos de água.

 

Por fim, mais um caso que ilustra muito bem a grande força deste elemento é o Tsunami que atingiu o Japão há pouco tempo, que, com sua ação destrutiva, dizimou cidades inteiras.

 

Portanto, a princípio a água parece ser fraca, mas pode vencer os materiais mais rígidos.

 

Lao Tsé, estando atento à natureza peculiar da água, observou que este é o princípio básico que rege a universalidade das coisas, sendo, portanto, o princípio do Tao Celestial.

 

E a partir desta observação, Lao Tsé nos ensina que a suavidade sempre vence o inflexível, e como este é um princípio universal, nós podemos levá-lo para todos os aspectos de nossa vida..

 

Nos “tornando água”, podemos atuar com mais harmonia, conexão e sabedoria, tanto na relação com as pessoas, como com as coisas, situações , problemas do dia-a-dia etc, jamais provocando conflitos e desgastes.

 

Saberemos ter a suavidade suficiente para nos adaptar às mais diversas situações, encontrar a melhor forma de nos integrar a elas e atravessá-las por seu ponto de menor resistência, assim como a água ao longo dos tempos que esculpe os rios por entre os vales.

 

Atuando dessa forma, evitaremos uma série imensa de desgastes energéticos em nossas vidas, o que certamente contribuirá para que tenhamos mais paz, harmonia e saúde em nossas vidas.

 

O Professor Tsai nos ensina que quando estamos com a energia fluindo corretamente as coisas naturalmente vão se harmonizando em nosso interior e consequentemente se refletindo em nossas relações com o mundo exterior. Sempre nesta ordem: ajustando-se primeiramente a vibração e a qualidade de nossa energia, para depois, com ela fluindo corretamente, os demais aspectos de nossa vida irem entrando naturalmente nos eixos.

 

Portanto, praticando a virtude da água, sendo flexíveis e buscando os pontos de menor resistência, nós não só podemos evitar desgastes energéticos como podemos também nos harmonizar, absorver mais energia e consequentemente ter uma vida mais feliz, tranquila, em paz, com saúde e sabedoria.

 

Não devemos nos esquecer de que o Professor Tsai não nos cansa de dizer que devemos ser flexíveis e suaves em nossos treinamentos, evitando a dureza muscular e rigidez do corpo enquanto executamos os exercícios e meditações, para que possamos evitar os bloqueios e propiciar uma soltura que permita o fluir de energia, sobretudo a descida de energia do “Lin Tai” ao “Tan Tien”. Praticar isso, inclusive nas demais atividades do dia-a dia, é realizar a virtude da água.

 

No entanto, Lao Tsé nos adverte que são muitos os que sabem disso, mas poucos os que conseguem realizar, pois a maioria dos homens age com dureza e imposição, praticando o Tao do Homem. O homem geralmente não age de acordo com os princípios naturais. É sempre duro, rígido e imponente.

 

Além deste aspecto, o sábio diz que quando um país tem problemas é obrigação principal do governante fazer com que as coisas fluam corretamente para que eles sejam resolvidos. Mas, como geralmente estes governantes não praticam o Tao Celestial, ao invés de eles auxiliarem o povo, eles acabam tirando o que resta dele. Agem contra o povo, contra o fluir natural das coisas, gerando ainda mais pobreza e sofrimento.

 

Sejamos água, pratiquemos o Tao Celestial e nos tornemos justos, saudáveis e felizes.

 

16/02/2016   Paulo Ricardo

E-Mail:  paulobonciani@hotmail.com

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Relato do Tao Te Ching . Capítulo 77 . Aula de Tai Chi – 06/02/2016

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Relato do Tao Te Ching . Capítulo 77 . Aula de Tai Chi – 06/02/2016

 

O Tao Celestial:

 

Lao Tsé nos ensina que o Tao Celestial pode ser entendido como um arco de atirar flechas, no que diz respeito à forma como rege os eventos do universo, em relação às suas leis de compensação, equilíbrio e harmonia.

O Tao, aliás, é mais do que o regente da natureza: ele é também a própria natureza.

Veja que ao querer acertar um alvo, você deve mirar exatamente nele, devendo fazer as devidas compensações caso esteja fora da mira: se estiver muito pra cima, deve-se abaixar um pouco. Se apontar mais pra esquerda, deve-se ir um pouco mais pra direita e assim por diante.

Veja que este pequeno exemplo se estende a todos os aspectos da natureza: o Tao sempre encontra uma maneira de compensar as coisas a fim de facilitar o fluir de energia, favorecendo, assim, a manutenção da vida.

Como exemplo disso o Prof. Tsai cita o Nordeste do Brasil, que é uma região quente onde nascem côcos de forma natural. A água do côco possui uma vibração de energia mais fria, proporcionando àqueles que a bebe, uma compensação natural da energia excessivamente quente que recebe quando está no Nordeste.

Já no Sudeste do Brasil, onde já não é tão quente, o côco não é indicado para ser consumido. O côco não nasce naturalmente em São Paulo por não ser necessário para restaurar naturalmente a energia de quem vive neste ambiente.

A natureza faz brotar somente o que for necessário, de acordo com a necessidade energética. A natureza é econômica.

 

O Tao do Homem:

 

Já no Tao do homem alece essa “justiça natural” do Tao Celestial.

No Tao do homem há uma distribuição desproporcional de energia e demais recursos, em vários âmbitos, o que gera desarmonia, infelicidade, e consequentemente doenças e eventos desfavoráveis à vida.

Lao Tsé nos lembra que aquele que tem pouco acaba sendo o que mais doa, e aquele que mais tem, é o que mais recebe do que menos tem.

Isso pode ser notado muito facilmente no Brasil, onde, por exemplo, há politicos muito ricos e que cada vez mais recebem mais e lucram em cima do povo, que no final acaba sempre pagando a conta.

O santo (quem compreendeu o Tao) dá o excedente a quem não tem, pois está sincronizado com a natureza e não mais precisa de tantas coisas para ser feliz e realizado.

Por isso ele faz o bem e não tem necessidade de reconhecimento ou compensação pelo que fez.

Ele está livre dessas necessidades e muletas do ego.

Ele simplesmente faz o que tem de ser feito e se retira.

Quando ouvi o Professor Tsai comentar isso na aula, imediatamente me lembrei do Mestre Pai Lin, que fez exatamente dessa forma. Ensinou o que devia e humildemente se retirou.

Lao Tsé, após escrever o Tao Te Ching, também se retirou imediatamente, sem ter recebido qualquer elogio, compensacão ou gratidão.

 

13/02/2016   Paulo Ricardo

E-Mail:  paulobonciani@hotmail.com

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Capítulo 77 – o Tao do céu

 

O Tao do céu é como um arco-flecha.

Está na medida certa.

Se você empina o arco para cima, a flecha atinge acima do alvo desejado.

Se você mira o arco para baixo, a flecha cai abaixo do alvo desejado.

Se o arco estiver muito frouxo, a flecha não receberá o impulso necessário para atingir o alvo.

O Tao do céu complementa aos que necessitam, dá para quem não tem.

 

O Tao do homem é diferente, é anti-natural.

O homem por sua essência materialista, tira dos que pouco têm para aumentar dos que já têm.

Assim, o rico fica mais rico e o pobre fica mais pobre.

O poderoso fica mais poderoso e o oprimido mais oprimido.

 

Ao observarmos a natureza podemos ver a perfeita harmonia do Tao.

Cada um no seu papel, naturalmente encaixada em suas incumbências.

De um lado podemos ver uma enorme árvore frondosa,

Por outro lado, podemos observar as singelas (e aparentemente insignficantes) gramíneas.

Todas exercendo o seu valioso papel dentro do seu minicosmo, proporcionando a grande harmonia do macrocosmo.

 

O sábio sabe o verdadeiro caminho do Tao

Respeita a natureza. Não é egoísta, arrogante; compartilha.

Dá aos fracos e oprimidos, sem se vangloriar.

Ao aprendermos a seguir a mãe natureza, seguiremos o Tao, atingindo a paz de espírito, a serenidade que tanto procuramos.

12/02/2016  Iracema Ioco Kikuchi Umeda

E-Mail: iikumeda@hotmail.com

*Texto elaborado por aluna Iracema Ioco Kikuchi Umeda.

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Capítulo 77

 

Para lançar uma flecha é preciso ajustar o arco: aproximar as extremidades da haste de madeira com o puxar da corda para trás. Desse modo, a parte que era mais rígida (madeira) revela sua flexibilidade, e a parte que era mais frouxa (corda) mostra sua rigidez. Tudo deve se completar de maneira equilibrada para que a flecha não seja lançada nem muito para cima, nem muito para baixo.

Esses ajustes também devemos fazer com naturalidade em relação ao nosso próprio corpo e a tudo que se manifesta neste mundo: Aproximar os extremos que se encontram afastados, diminuir as sobras e completar as insuficiências. A Natureza funciona na perfeição dessas compensações, assim como o homem que segue o Caminho, porque ele também é parte dessa Natureza que opera em expansão e recolhimento, igual ao arqueiro operando o arco.

Precisamos assimilar essa sabedoria e caminhar de acordo com o Tao, abaixando o que é superior e elevando o inferior, aproximando os extremos e equilibrando o que está desequilibrado. Atualmente o homem atua no sentido contrário, elevando mais ainda o que já está elevado e abaixando mais ainda o que já está em escassez, afastando assim os extremos e aumentando o desequilíbrio. Se conseguirmos aplicar os princípios da Natureza no nosso cotidiano, saberemos administrar alimentação, sono, trabalho, dinheiro.

As únicas pessoas que possuem sobras para oferecer ao mundo, são as que possuem o Caminho. São aquelas livres do ego e que agem em sintonia com a Natureza; que cultivam as virtudes e se dedicam às práticas espirituais interiores – que não deixam de ser um constante lançar de flechas para dentro de si. Quando alinhamos nossas posturas nos treinamentos, somos arqueiros buscando o equilíbrio do arco.

Uma vez que o arqueiro alinhou seu instrumento, tudo que ele precisa fazer é soltar a flecha para que ela cumpra seu trajeto até o alvo.

Uma vez que nós alinhamos nossas posturas, tudo que precisamos fazer é também soltar o corpo e deixar que a Natureza aja. Com dedicação a essa busca, poderemos aprender a reconhecer e ler os sinais do Universo, agindo em perfeita sintonia com ele.

 

10/02/2016 Flávia Lucato Castardelli

E-Mail: flavia_lucato@yahoo.com.br

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Na explicação desse capítulo pelo Mestre Tsai vemos quão atual e importante são os ensinamentos do Tao.

O Homem tem se comportado como mero executor de tarefas e age como se estivesse num sono profundo, com total incapacidade para refletir sobre suas ações, é como máquina programada para executar.

Não existe atalho, enquanto o Homem não entrar em sintonia com o caminho que o conduzirá a verdade, ele apenas patinará em seu próprio erro.

O Mestre Tsai explica que o caminho do Tao é como o endireitar do arco, se ele não estiver na posição correta, certamente não seguirá seu fluxo natural.

Um governo que favorece os mais ricos e desfavorece os mais pobres não está em conformidade com seu povo e a consequencia é sempre desastrosa.

Ora, por que então o Homem insiste em andar na direção contrária? Bem, ele não enxerga que sua vaidade, ego e dogmas o afastam do caminho do céu.

Em contrapartida, quando o Homem entende que seu interior será aperfeiçoado a medida que abre mão de suas verdades incontestáveis, naturalmente entra numa sintonia que transcende a desse mundo.

A busca pelo equilíbrio é a mais sensata das decisões pois os exageros somente mostram o quão desordenada está aquela vida. O Homem peca por seus excessos.

Quando o Homem não se liberta do seu eu e age como se não houvesse o amanhã, além de limitar seu crescimento, bloqueia toda e qualquer ajuda que poderia ser direcionada ao carente.

O caminho do Tao é perfeito e quando o Homem entra em sintonia com este caminho deixando para trás o velho Homem, sua realidade e a das pessoas ao seu redor é lindamente transformada.

Este é o caminho do Tao, o caminho do céu.

 

08/02/2016  Priscilla Tanaka

E-Mail: priscillacasi@yahoo.com.br

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Relato do Tao Te Ching . Capítulo 76 . Aula de Tai Chi – 30/01/2016

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O capítulo 76 – Sobre a diferença entre rigidez e macies.

O professor explica que ao nascer o homem é flexível, frágil e cheio de vida, onde seus olhos brilham, emanando grande quantidade de energia; Já próximo a sua morte, o homem por sua vez, torna-se rígido, inflexível, pálido e duro.  Não só os homens são regidos por esta lei, as árvores e vegetais também.  Esses exemplos servem para a nossa própria vida, para nossa prática, ao passo em que sermos flexíveis e suaves no nosso modo de agir, ao lidar com outros seres, nos renderá muitos benefícios.  Para exemplificar: no treino de Tuei Sou, quando se está com os braços endurecidos, logo as dores começam a aparecer e a prática não flui. Já ao contrário, sendo macio, suave e sem pressa sua força é aumentada e a prática flui perfeitamente bem.

Já na segunda parte do capítulo, Lao Tse relata que os que são suaves e flexíveis estão no grupo voltado para a vida, o inverso, onde estão os rígidos e violentos, estão no grupo voltados para a morte. Em que os que são violentos e inflexíveis tendem a morrer primeiro.

Pode-se notar que ser suave, tranquilo, de acordo já com a ultima parte do capítulo, é estar em superioridade, ou seja, é melhor do que ser truculento; Agindo desta forma o praticante/buscador irá junto a natureza em direção a grande paz, longevidade e bem viver.

 

03/02/2016 Henrique Decimus

E-Mail: henriquethaicenter@gmail.com

*Texto elaborado por aluno: Henrique Decimus

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Flexibilidade? A cada ano que passa nos tornamos mais rígidos, jornais, revistas, televisão, internet, pessoas, o cotidiano, todos nos dizem que só os fortes vencem, mostram que devemos bater de frente, revidar, devolver.

Na nossa infância e juventude, o amor, paciência, alegria, leveza se mostram mais presentes, porque? Alguns dizem que nessa epóca da vida não temos responsabilidades, o capítulo nos faz lembrar que a verdade é que somos mais flexíveis, não somente física, principalmente uma flexibilidade mental. Aceitamos as mudanças que aparecem com mais naturalidade, procuramos as melhores alternativas mesmo em situações adversas, aprendemos com mais facilidade, fazemos coisas inesperadas, buscamos a felicidade. Com o passar dos anos vamos nos tornando rígidos, frases do tipo: “Já sei” – “Não quero” – “Não vou” – “Já conheço”, ou então acrescentamos o “SE” nas frases, “Só faço isso SE…” e no final são tantos “SEs” que ficamos paralizados.

Flexibilidade não é aceitar tudo e compreender as situações encontrando a melhor forma de conviver com elas.

Se pegamos um vidro cheio de pedras, ao tentar colocar mais pedras não é possível, o vidro já está cheio, se tentamos colocar água, vemos que ela vai se moldando e ocupando os pequenos espaços vazios.

Que sejamos mais flexíveis, compreendendo as diversidades, saindo da rotina, levando leveza, amor e sorriso em todas as situações.

 

04/02/2016   Gabriel Mondin

E-Mail: gabrielmondin@outlook.com

*Texto elaborado por aluno: Gabriel Mondin

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O cap 76  do Tao faz uma comparação entre os opostos. De um lado, a suavidade e fragilidade ligadas ao nascimento e à vida. Do outro lado, a força e à rigidez ligadas à morte. Ao final, a suavidade se encontra em posição superior à força.

 

O recém-nascido em constante crescimento e transformação está conectado com sua essência. É molinho, flexível e suas energias fluem harmoniosamente.

 

Podemos aprender com o bebê.  Aprender a ser suave, a ter flexibilidade consigo mesmo e com as outras pessoas. Sentir essa energia nos pensamentos, palavras e ações. A suavidade poupa energia e abre novos caminhos.

 

A mudança e o crescimento interior requerem essas virtudes. Se estamos abertos e dispostos a aprender, necessitamos desenvolve- las.  É estar sempre renascendo e se redescobrindo.

 

Portanto, percebemos a importância de retornarmos à nossa origem, à essência. Desta forma, a fragilidade não é consequência de raízes fracas, de não estar conectado. É fruto da conexão interna, da unidade com a essência divina. E o crescimento se dá ao longo de toda a existência.

 

O contrário, quando a força e a rigidez dominam os movimentos da vida, pode resultar em bloqueios e estagnação física, psíquica, emocional e espiritual.

 

Estar receptivo, ter paciência e um bom coração podem nos ajudar  a conduzir a vida de forma mais suave e gentil.

05/02/2016     Kátia Rodriguez Richieri

E-Mail: katia@richieri.com.br

*Texto elaborado por aluno: Kátia Rodriguez Richieri

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Relato de Tao Te Ching capítulo 76 Fraqueza, Suavidade – Aula de Tai Chi de 30/01/16

-Quando a pessoa nasce é frágil e suave.
Aqui estamos falando de um bebê.

-Quando morre tudo fica duro, rígido.
Aqui estamos falando de um moribundo.

-Todos os seres vivos, tanto as plantas, como os animais ao nascerem ou brotarem são frágeis, fracos.
-Ao morrerem são secos, duros.
Observando a natureza reparamos que todos os seres vivos quando nascem são tenras, brandas e suaves, e quando se aproximam da morte, tornam-se gradualmente rígidas, duras e secas. E a relação que existe entre esses dois momentos extremos é a quantidade de energia vital que esses seres possuem nesses momentos. Ao nascerem os seres são cheio de vitalidade, tem grande quantidade de energia, enquanto que na proximidade da morte já está exaurida de energia.

-Porisso aqueles que são duros e rígidos pertencem ao grupo da morte.
-Aqueles que são frágeis e suaves pertencem ao grupo da vida.
Assim através do treino de Tai Chi e Meditação com suavidade procuramos circular e armazenar a energia vital no nosso corpo para sincronizar com a natureza e tentar permanecer no grupo da vida.

-Assim os soldados fortes com armas duras não vencem.
-A madeira quando fica muito dura quebra.
Quando faz guerra com uso de armas duras, ocorre muitas mortes e destruição, e assim que a guerra termina, os derrotados se preparam para se vingar dos vencedores, partindo para nova guerra e causando novas mortes e destruição, e assim sucessivamente. Portanto os soldados fortes com armas duras não vencem. É preferível resolver suavemente com negociação.
-Porisso qualquer coisa rígida e forte posiciona embaixo.
-Enquanto coisa fraca e suave posiciona em cima.
Porisso, através da meditação, com suavidade, ao assentar, acalmar e decantar tudo que nos incomoda, esvaziando o coração de ambição, apego às coisas, medo, ego, etc e sincronizando com a energia da natureza, nos tornamos mais suaves, e posicionamos em cima, com leveza.

 

06/02/2015   Kinjiro Sekiguchi

E-Mail: kinjiro2003@globo.com

*Texto elaborado por aluno: Kinjiro Sekiguchi

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Relato do Tao Te Ching . Capítulo 75 . Aula de Tai Chi – 16/01/2016

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Relato de Tao Te Ching capítulo 75 Valorização da Vida – Aula de Tai Chi de 16/01/16

Neste capítulo Lao Tze, através da descrição das condições difíceis da vida da sociedade dessa época e da difícil relação do povo com o governante, transmite seus ensinamentos.

-Por que o homem passa fome ? É porque os governantes cobram impostos do povo em demasia.
-Quando o povo é difícil de governar, é porque o governante age intencionalmente, com egoísmo, só pensando na sua ambição e no seu bem estar, sem ouvir as necessidades do povo.

O Prof. Tsai ressaltou que normalmente o governante acostuma pensar que o povo está difícil de ser governado porque o povo é ruim, que não trabalha e não produz o suficiente, mas que olhando do ponto de vista Taoista é sempre o inverso. Para isso é preciso assentar, acalmar e decantar tudo que nos incomoda, tais como, ambição, apego às coisas, medo, ego, etc e sincronizar com a energia. Só assim conseguimos enxergar a realidade.

-O povo não dá mais importância para viver, porque o governante exige do povo vida de excessos (de trabalho, de exercícios físicos, de exigência de cumprimento de metas, etc), só para atender os desejos do governante (seus sonhos, suas ambições de poder e riqueza, aumentar o seu bem estar, etc).

Aqui, substituindo o “povo” pelo “corpo físico” de uma pessoa, e o “governante” pela “mente” dessa pessoa, observamos que o excesso de trabalho do corpo físico exigido pela ambição da mente dessa pessoa pode levar essa pessoa a ficar doente e levar à morte.
O Prof. Tsai disse que porisso, se a pessoa busca só bens materiais, poder e riqueza, e desprezar a essência do viver levará à perda de sincronismo com a energia.

-Assim apenas as pessoas que realmente conhecem a essência do viver (sincronização com a energia) vai perceber que isso é muito mais valioso que bens materiais.

O Prof. Tsai disse: Por quê se matar tanto de trabalhar para conseguir mais bens materiais, se vai acabar pagando muito mais caro com doença, com a morte ? É isso que vai acontecer se estiver sincronizado com bens materiais em vez de estar sincronizado com a energia.

O Prof. Tsai falou sobre o sincronismo com a energia, e deu um “puxão nas orelhas” dos antigos alunos (como no meu caso), e disse: se você acha que ainda não está indo bem no trabalho ou está tendo algum problema de saúde, é porque você deixou de estar sincronizado com a energia.
Queria agradecer mais uma vez ao Prof. Tsai por esse “puxão nas orelhas”, pois nos últimos meses acho que estava perdendo sincronismo, e agora acho que me clareou como resolver, e após muita reflexão, agora acho que voltei a sincronizar.

27/01/2016   Kinjiro Sekiguchi

E-Mail: kinjiro2003@globo.com

 

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Capítulo 75

 

Valorização da Vida

 

Na época em que Lao-Tsé escreveu o TAO TE CHING, o país (China) era assolado por uma grave crise. O professor Tsai revela, inclusive, que as pessoas se devoravam por conta da falta de alimentos. Um canibalismo provocado pela ambição; resultado da ação de governantes inescrupulosos que cobravam altos impostos.

 

No capítulo, Lao-Tsé aborda o sofrimento do povo, que é explorado pelos próprios governantes. A queixa e a revolta são inevitáveis, porque os governantes não dão condições dignas de vida aos liderados. Instala-se o caos. O povo passa a não temer a morte; há um verdadeiro fastio da existência.

 

A leitura traz a reflexão de que tudo o que ocorre externamente é mero reflexo do que ocorre internamente. Reconhecer o sincronismo é essencial para vivenciar o TAO. As pessoas só conhecem a essência da vida quando passam a não depender tanto do material. Quando estamos alinhados à prática de energia, a vida interior é mais compensadora do que os bens materiais transitórios.

22/01/2016 Betânia da Silva Lins

E-Mail: betania.lins@printeccomunicacao.com.br

*Texto elaborado por aluna:Betânia da Silva Lins

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