ROSÁCEA, FRAQUEZA, E ETC.

Andre

Procurei a acupuntura principalmente devido a um problema de pele chamado “rosácea”, que se manifesta através de rubores na área do rosto. Fui diagnosticado há mais de dez anos, mas apenas mais recentemente (de 2 anos e meio pra cá) o problema se tornou constante – antes, os rubores desapareciam rapidamente –, e mais intenso (além de rubor, também pequenos pontos parecidos à acne começaram a surgir constantemente).

Como eu sempre resisti ao tratamento alopático imediato, não fazia nada com relação ao problema. Mas, ao atingir esse segundo estágio, de piora gradativa e manifestação permanente, comecei a me preocupar (principalmente tendo em vista que meu pai também já manifestou o problema em estágio ainda mais avançado), decidi que era hora de fazer algo.

Primeiramente, já em busca de algum tratamento integralista e não-alopático, recorri à Ayurveda, que foi bastante útil em outros aspectos do meu cotidiano e alimentação, mas que demonstrou apenas resultados tímidos com relação à rosácea (o problema diminuiu um pouco, mas o progresso estagnou-se rapidamente).

Resolvi, então, procurar a acupuntura, mas antes disso passei a utilizar um creme antibiótico alopático pouco agressivo (a outra solução, à qual eu ainda resistia, seria a administração de antibióticos via oral). A ideia era mitigar o problema através dessa alopatia branda, e depois manter apenas com a acupuntura.

Usei o creme, obtive uma melhora significativa, e deixei de usá-lo. Atualmente, trato apenas com acupuntura, e o resultado tem sido excelente.

Embora meu problema seja relativamente pequeno em comparação a outros pacientes, não tenho dúvidas quanto à eficácia do método do Prof. Tsai – o que também é ratificado por todas as avaliações de seus pacientes.

Meu rosto ainda apresenta rubores constantes (em um grau já aceitável), e tenho certeza de que eles continuarão a regredir sem uso de qualquer medicamento alopático, apenas com acupuntura e, num futuro próximo, com o tai chi. Portanto, sem dúvida, voltarei a comentar aqui neste espaço, dando conta das evoluções futuras.

 

23/05/2017  André Bruno

E-Mail: andrebabueno@gmail.com

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PRÉ-DIABÉTICO, TORNOZELOS INCHADOS, ZUMBIDO, OBESIDADE, GRIPE E ETC.

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Conheci o Prof. Tsai por estar procurando um tratamento alternativo para evitar tomar um monte de remédios que me foram receitados, uma vez que fui diagnosticado como pré-diabético.

Meus tornozelos estavam inchados, se eu andasse dois quarteirões já me sentia muito cansado e tinha um chiado nos ouvidos que nunca passava.

Interessei-me por acupuntura pois tinha alguma informação sobre este tratamento que era recomendado para dores.   Pesquisando na Internet optei pelo Centro Taoísta devido aos depoimentos que li.

Iniciei o tratamento com o Prof. Tsai com duas seções de acupuntura e massagem Tuina, mais conhecida como tortura chinesa por semana, durante um mês.

Lembrando que também mudei bem minha alimentação, reduzindo bastante as frituras, refrigerantes e doces, além de tomar o chá chinês que até hoje não sei do que era.

A partir da terceira seção já senti grande melhora, tanto que comecei a ir a pé até a estação Liberdade do Metrô após as sessões (o Centro Taoísta fica a uns 10 min.do Metrô Vergueiro).

Em seguida continuamos por mais dois meses com uma seção por semana, já não sentia mais dores nas pernas, o inchaço já havia desaparecido e diminui uns 7 kilos. Foi quando o Professor Tsai me convidou para participar da turma de Tai Chi pois segundo me disse o que podia fazer com a acupuntura já havia sido feito e que a partir daí dependeria somente de mim.

Devo confessar que o Tai Chi é realmente eficiente quando seguido com constância pois não há milagre, nossa saúde depende de nossa energia e com o passar do tempo, a medida que vamos envelhecendo o desgaste é muito maior e a recuperação mais demorada.

Tive algumas baixas devido a negligencia, pois quando a gente vai melhorando esquece o que passou e descuida do treinamento, apesar de o Prof. Tsai estar repetindo que não devemos esquecer da constância, mas sempre consegui me recuperar, visto que a partir do início de treinamento do Tai chi, nunca peguei nenhuma gripe e quando aparece um resfriado nunca passa de um ou dois dias sem tomar nenhum remédio.

O último exercício que estamos aperfeiçoando (um dos 37 exercícios do Tai Chi) é o Lou Chee ao Pu, que tem um grau de exigência bem alto do ponto de vista de resistência e qualidade dos movimentos, o que resulta em grande benefício a saúde quando bem elaborado devido aos pontos que são exercitados.

 

 

29/4/2017  Benedito Breve

E-Mail: breve.b@gmail.com

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Depoimento da Flávia falando sobre treino de energia no Centro Taoíta…

pushhands

A flávia faz push hands com Prof. Tsai no Centro Taoísta 

 

O depoimento da Flávia foram feitos em 6 vídeos, para assistir basta clicar em cima de cada um deles:

parte01

parte02

parte03

parte04

parte05

parte06

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APRENDIZAGEM SOBRE ENERGIA ATRAVÉS DO TAI CHI, TUEI SHOU, PUSH HANDS, MEDITAÇÃO E OUTROS BENEFÍCIOS.

flavianew

Recentemente, estudando Pushing Hands com o Professor Tsai, ele me dizia muito a palavra “ceder”. Na prática, era preciso que eu cedesse bastante para não ser “vencida”. Percebi que quanto mais eu cedia, mais me cansava as pernas. Isso me fez refletir sobre o fato de que todo aprendizado requer um esforço. Mesmo aprender a ceder, também pode ser um processo muito trabalhoso, e que quanto mais me cansava a base (ou seja, as pernas), mais livre o resto do meu corpo ficava para seguir o treino num fluxo favorável.

Justo na mesma semana dessa reflexão, o Professor começou o capítulo 26 do Tao te Ching na aula de grupo com a seguinte frase: “O peso é a raiz da leveza”. E mais do que nunca essa frase fez sentido para mim, justamente porque eu havia experimentado no meu corpo sua veracidade. Quanto mais uma árvore enraíza, mais ela pode balançar ao vento sem risco de queda. O peso está embaixo, onde a força da gravidade já nos indica. Nós temos a tendência de deixar o peso subir, recebendo com a força da parte superior todos os impactos do mundo, e isso nos atinge, nos derruba. É como se uma árvore tentasse vencer o vento pela força das folhas e não pelo enraizamento. Simplesmente não faz sentido, mas é exatamente esse comportamento que nós normalmente adotamos.

Enquanto não trabalhamos nosso interior para essa mudança de comportamento, não conseguimos ceder fisicamente. O corpo reflete aquilo que o interior permite. E não é um processo rápido. Cada um leva o tempo que lhe couber para essa mudança. Precisamos abandonar o imediatismo porque ele nos atrapalha o caminho. Na busca do Tao, nenhum atalho serve. Nossa mania de procurar sempre opções rápidas e resumidas, não serve. Porque o caminho que seguimos segue o ritmo da Natureza, e nada nela se apressa. As coisas levam o tempo que tiverem que levar. É impossível acelerar o amadurecimento de uma fruta, a formação de um bebê, o ciclo da lua, a duração do dia. Quando buscamos atalhos, é porque esquecemos que as forças que regem todo o Universo, também nos rege. Não temos o poder de andar à frente dele. Andamos junto com ele, porque fazemos parte dele. Estamos em contato, colados, continuando e seguindo – assim como fazemos na prática do Pushing Hands.

Até pouco tempo atrás eu tinha a sensação que o estudo do Tao era como uma nova lente na frente dos meus olhos, e que por essa lente eu começava a rever todas as coisas que acreditava conhecer até então. Hoje, ao contrário, sinto que o estudo do Tao é justamente a retirada de todas as lentes que eu tinha para enxergar o mundo. O estudo do Tao é a busca de ler o mundo da maneira mais crua, essencial, verdadeira possível.

Também sinto hoje que eu tenho um Norte a seguir. Antes eu me sentia um tanto à deriva, sobre todos os aspectos da vida. Sentia que eu estava sempre à mercê das circunstâncias. Agora eu tenho um grande Norte que me orienta e que me deixa segura de que minhas escolhas são baseadas em algo realmente verdadeiro, e não apenas nas minhas vontades momentâneas. Porque nós somos seres muito volúveis e inconstantes, mas a prática de energia e a reflexão diária acabam se tornando instrumentos poderosos para estabilizarmos nossa mente/espírito, anulando cada vez mais o ego e seguindo em frente sem nos distrairmos e desviarmos o caminho. E mesmo que isso aconteça, temos a dica de como retornar. Muito mais importante do que não errar, é manter a humildade de reconhecer e recomeçar.

Agora que completei meu primeiro ano como professora de Tai Chi, percebo o quanto é difícil as pessoas incorporarem na própria rotina uma prática que ocupa apenas alguns minutos do dia. No início, a única coisa que precisamos nos comprometer é a praticar a postura do Abraço da Árvore, diariamente. Isso realmente leva alguns poucos minutos, mas ainda assim a maioria das pessoas encontra dificuldade de pegar as rédeas do próprio tempo nas mãos, assim como eu também tive dificuldade no início. Mas se não dermos esse primeiro passo, aparentemente simples, que é começar a ter constância (assim como todas as coisas da Natureza), de que forma os próximos ensinamentos poderão de fato chegar até nós?

Eu sinto um grande prazer em poder dar essas aulas, porque sei que estou entregando para as pessoas uma chave que pode abrir muitas portas se elas a pegarem nas mãos. Digo isso porque tenho tido a experiência no meu próprio corpo sobre todos os benefícios que tenho recebido desde que comecei a me dedicar a esse caminho:

– Eu saí de um estado permanente de irritação e descontentamento, me tornando uma pessoa muito mais tranquila e tolerante;

– Nunca mais tive crises de síndrome do pânico (era algo que simplesmente me impedia de viver em paz);

– Curei uma série de infecções urinárias que me levaram a um estado ainda pior de pânico porque a medicina tradicional ocidental não conseguiu resolver com nenhum remédio;

– Melhorei minha capacidade de concentração (sempre fui muito dispersa para aprender e escutar os outros);

– Já consegui estabilizar consideravelmente minha coluna cervical (tenho duas hérnias de disco na cervical, que há anos me geravam enxaqueca a ponto de vomitar de dor, tontura, pinçamentos constantes, muita dor e limitação de movimento). Diria que hoje esses sintomas já diminuíram 80% e eu sigo me dedicando para melhorar ainda mais;

– Minha TPM tornou-se muito mais amena, sem grandes oscilações de inchaço e nem de irritação;

– Sinto muito menos frio. Antes eu tinha os pés sempre muito gelados, mesmo usando mais de uma meia. Eu tinha a sensação de “frio nos ossos” dos pés, e isso passou;

– Estou com a imunidade mais alta. Eu era muito vulnerável para pegar gripes e resfriados.

Esses são alguns exemplos. Mas eu resumiria tudo isso dizendo que encontrei uma maneira de ficar em paz internamente, e que me sinto muito grata por ter a chance de reparar a tempo os danos que permiti que meu corpo sofresse até aqui. Hoje tenho a consciência de que saúde (em todos os aspectos) é algo que se cultiva, e não que se gasta até que seja preciso remediar.

Nossa cultura é muito baseada no excesso. Usamos e abusamos do nosso corpo, até que a bateria descarregue, e então adoecemos, nos remediamos com drogas, e recomeçamos o ciclo de gastar até a última gota de energia, para então novamente adoecermos… E assim seguimos esse padrão, entendendo ele como algo normal. Mas normal mesmo é ter saúde sempre. E isso nós podemos aprender a cultivar. A maioria das pessoas só pensa na saúde quando sente que ela está muito abalada, e isso eu aprendi pela minha própria experiência.

Dia desses, observando de canto de olho o professor executar o exercício que chamamos de “Reforço”, percebi que ele fazia de uma forma muito diferente de nós alunos. Quando perguntei a ele o motivo, ele disse que naquele momento sentiu que a energia já estava fluindo, e que então não precisava de todos os movimentos que normalmente nós fazemos. Achei muito interessante perceber que os mesmos exercícios têm muitos níveis de entendimento, dependendo do estágio em que você se encontra. Na prática do Tai Chi não existe essa frase “já entendi esse exercício”, ou “já o conheço o suficiente”. Todo material do Tai Chi pode e deve ser revisitado sempre, porque a nossa percepção sobre cada exercício irá se modificar e evoluir na medida em que avançamos. Culturalmente, toda nossa organização de estudos é baseada em conteúdos que assimilamos, superamos e passamos para o estágio seguinte. Mas o treino de energia não segue essa lógica. Não existe linha de chegada, conclusão de curso. É um estudo como uma caminhada, e não como uma competição de corrida.

O Professor sempre diz “o Tao é sempre justo”. Quanto mais você se entrega e pratica, mais benefícios ele te dá. Diferente da sociedade. A sociedade não é justa. Socialmente pode ser que você se esforce e se dedique muito, e ainda assim não obtenha benefícios ou sucesso. Mas o Tao é justo, porque ele é anterior a qualquer construção social. Ele é aquela verdade essencial que está por trás de todas as lentes que recebemos para ler o mundo.

Eu me sinto muito grata por ter a oportunidade de aprender coisas tão importantes, que transformaram profundamente minha qualidade de vida e minha relação com meu corpo e com o mundo. E me sinto igualmente grata por poder transmitir isso às pessoas que procuram a aula de Tai Chi. Essa função me dá um sentido. Sabe quando você está na rua e alguém te pede uma informação que você não sabe exatamente a resposta? Você sabe que o lugar que ela procura fica meio por alí… você vasculha sua cabeça e não consegue encontrar a direção certa para dar… você queria muito saber para ajudá-la, afinal você sempre esteve naquela região, mas acaba de descobrir que não a conhece tão bem a ponto de orientar o outro. Por fim você pede desculpa e diz que não sabe. Eu me sentia assim depois de anos como professora de outras práticas corporais: Frustrada por não conseguir orientar o caminho. Eu conhecia o corpo, mas faltava alguma peça.

O estudo de energia me abriu então essa porta, e enquanto sigo caminhando e aprendendo, posso fazer o convite àqueles que buscam ajuda: “Você pode vir por aqui junto comigo”.

 

06/04/2017 Flávia Lucato

E-Mail: flavia_lucato@yahoo.com.br

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Comentários feitos pelo professor Tsai sobre os 10 princípios básicos do Tai Chi Chuan

Comentários do professor Tsai, do Centro Taoísta de Cultivo da Longevidade, sobre “Os 10 Princípios Básicos (The 10 Basic Principles)”. Aula ministrada em 20 de agosto de 2016.

taichi
Tai chi é uma arte sofisticada com muitos estilos e formas diferentes. Apesar das muitas variações de tai chi, o seu poder imenso para melhorar a saúde e energia interior deriva de um conjunto de princípios essenciais. Apresento aqui os mais importantes, os 10 princípios básicos ditados pelo Mestre Yang Cheng-fu, descritos aqui de forma simples e fácil de entender. Tendo-os em mente enquanto você aprender e praticar, você vai ser capaz de praticar um tai chi mais eficaz desde o início.

Comentário:

Professor Tsai elogiou a iniciativa do artigo e enxerga muito valor nessa “codificação” dos princípios básicos em 10 princípios básicos. Mas, alerta para alguns erros de tradução e interpretação. Os alunos, por sua vez, elogiaram as ilustrações – que trazem uma melhor compreensão do texto.

cabeca

1 – 虛靈頂勁: Suspender a cabeça com leveza e sensibilidade: fique ereto e mantenha a cabeça e o pescoço naturalmente eretos com a mente concentrada no topo da cabeça, assim, o espírito (Shen) chegará bem alto. Não se deve usar de força. Se a força é usada, a parte de trás do pescoço ficará rígida, e o sangue e o Chi não serão capazes de circular. Deve haver um sentimento de naturalidade e leve sensibilidade. Sem essa energia sensível no topo da cabeça, o espírito não poderá elevar-se.

Comentário:

Aqui temos as instruções passadas durante o “abraço de árvore”, ou seja, o fio imaginário que puxa o topo da cabeça, lembrando de recolher o queixo. Alongar as costas e “segurar o peito” ao mesmo tempo que se mantém uma leve soltura.

p2

2 – 含胸拔背:Afundar o peito e alongar as costas: mantenha o peito ligeiramente para dentro o que o capacita a afundar ou submergir a respiração no Tan Tien (baixo ventre). Não deixe o peito para fora (protuberante), pois isto vai fazer com que a respiração torne-se difícil e o topo da cabeça pesado. Isso tende a causar uma instabilidade nas solas dos pés. “Alongando as costas” significa que o Chi permanece nas costas. Se se é capaz de afundar o peito, as costas subirão naturalmente. Se se é capaz de elevar as costas, então a força sairá das costas e se pode vencer qualquer adversário.

Comentário:

Em nenhum momento do nosso treino de energia nos preocupamos com a respiração. Esta, na verdade, é resultado da postura correta no treino de energia. A conexão é muito importante e mantê-la é essencial para que o treino não seja apenas uma coreografia.

3 – 松腰: Relaxar a cintura: A cintura é o controle do corpo. Se a cintura está relaxada, os pés terão força e nossa base estará firme. Todos os movimentos dependem da ação da cintura. Os movimentos desajeitados no Tai Chi Chuan surgem de ações erradas da cintura. Todas as trocas entre cheio e vazio vêm da rotação da cintura. Portanto, diz-se que a cintura é a área mais vital. Se nós perdermos força, devemos procurar a causa na cintura.

Comentário:

Em todas as aulas e treinamento falamos sobre a importância de soltura; de deixar a cintura mais solta para tornar o movimento redondo. É essa forma correta da cintura que permitirá que o próximo passo – o cheio e o vazio – sejam alcançados.

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4 –分虛實:  Distinguir entre o cheio e o vazio: é de suma importância no Tai Chi Chuan distinguirmos entre “Xu” vazio e “Shi” cheio. Se o peso do corpo está na perna direita, então a perna direita está cheia e a esquerda está vazia, e vice versa. Quando conseguimos separar o cheio do vazio, giramos o corpo levemente sem usar força. Se não conseguimos separar, o passo é pesado, rígido e vagaroso, e a posição não é firme, a postura torna-se instável e desfavorável ao equilíbrio.

Comentário:

Dividir o cheio e o vazio, alternando-os durante a movimentação. Esse cuidado é que vai garantir uma postura confortável e relaxada, que resultará na alternância e circulação de energia.
5 – 沉肩墜肘: Relaxar os ombros e soltar os cotovelos: devemos manter os ombros na posição natural e relaxados. Se elevamos os ombros, o chi vai subir com eles e todo o corpo vai ficar sem força. “Baixar os cotovelos” significa que os cotovelos relaxam e pendem para baixo. Se os cotovelos estão altos, os ombros não podem afundar e não podemos mover nosso corpo de forma suave. Então, não seremos capazes de empurrar nossos adversários muito longe, e estaremos cometendo o erro de quebrar a energia.

Comentário:

Na análise do professor Tsai, no item 5 há incorreções. Ao afundar os ombros, o antebraço naturalmente vai descer. É importante, também, não confundir esse relaxamento em uma postura “mole”, sem vida. É necessário manter um vigor que não deve ser associado à tensão ou rigidez.

p6
6 – 用意不用力: Usar a mente e não a força muscular: Na prática do Tai Chi Chuan todo o corpo está

relaxado. Se nós podemos eliminar mesmo a mais leve das inabilidades que criam obstáculos nos tendões, ossos e vasos sanguíneos, e que restringem a nossa liberdade, nossos movimentos serão leves, ágeis circulares e espontâneos. É extraordinário como nós podemos ser fortes sem usar a força. Os meridianos do corpo são como canais de água na terra. Quando os canais estão abertos a água flui livremente, quando os meridianos estão abertos o Chi passa por eles. Se a rigidez bloqueia os meridianos, o Chi e o sangue serão obstruídos e nossos movimentos não serão ágeis, então se até um cabelo é puxado, todo o corpo será abalado. Se, por outro lado, nós não usamos a força mas a mente, onde quer que a mente vá o Chi seguirá. Dessa forma se o Chi flui sem obstrução diariamente, penetrando todas as passagens no corpo inteiro sem interrupção, então depois de um longo tempo de prática teremos adquirido um poder interno verdadeiro. Isso, então é o que no “Tratado do Tai Chi Chuan” significa -“somente da mais elevada suavidade vem a dureza.” Os braços dos que dominaram o Tai Chi Chuan são como ferro oculto no algodão, e são extremamente fortes. Isto é o que os expertos em Tai Chi Chuan chamam de: “Flexível na aparência, mas poderoso na essência”.

Comentário:

Na análise do professor Tsai, falta dizer que é importante usar a intenção – não usar a força. Chama a atenção para o uso do olhar durante todo o processo, todo o movimento. O olhar suave acompanha toda a alternância de movimentos das mãos.

p7
7 –上下相隨:  Interligar os movimentos da parte superior e o inferior do corpo: A união ente o baixo e o alto do corpo é o que no “Tratado do Tai Chi Chuan” significa – “ a raiz está nos pés, é dirigida através das pernas, controlada pela cintura, e expressada nas mãos.” Dos pés para as pernas, para a cintura, deve haver um circuito contínuo de Chi. Quando as mãos, cintura e pés movem-se, o espírito (shen) dos olhos movem-se em uníssono. Isso pode ser chamado de “união entre o baixo e o alto do corpo.” Se apenas uma parte não está sincronizada, haverá confusão. Se alguma parte para de mover-se, então os movimentos serão desconectados e cairão em desordem.

Comentário:

Céu e terra se unem. Essa é uma analogia para o movimento sincronizado. Não devemos esquecer que os pés devem “agarrar” o chão, um movimento natural e instintivo. Assim formando o corpo como um uno, chamado 整勁 ( energia dinâmica integrada).

p8

8 – 內外相合: Harmonia entre o interno e o externo: praticando o Tai Chi Chuan o foco está na mente e na consciência. Assim dizem: “O Espírito (Consciência) é o comandante e o corpo é o subordinado”. Se podemos elevar o Espírito com a mente tranquila, então os movimentos serão naturalmente suaves e graciosos. As posturas não vão além do cheio e vazio, abrindo e fechando. Aquilo que é chamado abrir, significa que não apenas as mãos e os pés estão abertos, mas a mente também está aberta. O que queremos dizer com fechando, também não está limitado às mãos ou pés, mas também devemos ter a ideia de fechamento da mente. Quando o interno e o externo estão unificados como um Chi, não há interrupção em qualquer parte. Quando pudermos fazer com que o de dentro e o de fora se tornem um, a coordenação será completa e a perfeição será atingida.

Comentário:

Dentro e fora devem estar unidos; integrados ao movimento. Os movimentos externos do Tai Chi se comunicam com os orgãos e as vísceras internas através dos meridianos energéticos.

p9
9 – 相連不斷: Mover-se com continuidade, sem rupturas: No Tai Chi Chuan nós usamos a mente e não a força. Do início ao fim não há interrupção. Tudo é completo e contínuo, circular e infinito. Isso é o que os Clássicos se referem como – “como um grande rio correndo sem fim”, ou “movendo a energia como enrolando a seda de um casulo.” Tudo isso expressa a ideia de unidade como o Chi.

Comentário:

É muito importante que não haja quebra do movimento; que seja sem parar, sem interrupções. Redondo. O Tai Chi representa o movimento contínuo.

p10
10 – 動中求靜: Buscar a quietude dentro do movimento: no Tai Chi Chuan o movimento é
combinado com a tranquilidade e enquanto se executa os movimentos se mantém a tranquilidade da mente. Na prática da “Forma”, quanto mais lento o movimento, melhores resultados são conseguidos. Isto acontece porque quando os movimentos são lentos, pode-se respirar profundamente e submergir o Chi no Tan Tien (baixo ventre) e isso evita os efeitos nocivos da pulsação elevada, o que produz um efeito suavizante no corpo e na mente. Aprendizes de Tai Chi Chuan irão conseguir uma melhor compreensão de tudo isto, através de estudo cuidadoso e prática persistente.

Comentário:

Ao longo da prática, manter o eixo. Isso significa que mantemos a serenidade do movimento, alcançando a tranquilidade, mesmo em movimento.

 

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Experiências e sensações com a prática de Tai Chi e Tui Sou ( Push Hands) e etc.

pushhands

Tenho algumas sensações nestas primeiras fases de vivência. Acredito que no Push Hands esteja a essência do Tai Chi, como se fosse a maneira corporal de explicar os fundamentos taoístas:

Algo em constante movimento e em constante transformação;

Que não força e nem abandona o fluxo natural;

Que instaura a necessidade de escuta de si e do outro;

Que faz com que você esteja presente e inteiro dentro do seu próprio corpo;

Que faz com que a minha expansão seja o recolhimento do outro, e que a expansão do outro seja o meu recolhimento, havendo assim equilíbrio e diálogo nessa relação;

Que pede que você reconheça seus limites e trabalhe para que eles se ampliem – E uma vez que você amplia seus limites, você acaba por ampliar também sua capacidade de se relacionar com o outro.

E tenho sentido que quanto mais aguçados estão esses canais de percepção, mais evidentes ficam as verdades que cada corpo entrega (inclusive o meu). Os lugares onde as pessoas bloqueiam, para onde elas se inclinam, a dificuldade em esperar e receber o tempo do outro; Começo a perceber que por esses movimentos podemos ler muitas informações sobre as pessoas.

E tudo que vivi até agora no Tai Chi obedece aos mesmos princípios. Sinto que nenhum movimento carrega um ponto final. É como se cada movimento completasse seu ciclo completamente, mas ao chegar na sua última gota, imediatamente ele é “costurado” no próximo, sem deixar espaços de desconexão. –  Assim como no Push Hands, e assim como no fim do dia e no começo da noite. O Sol completa sua função a cada dia, mas não há ponto final e o início de um novo parágrafo para que a noite chegue. Tudo se costura em harmonia.

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 Sobre o meu processo de desenvolvimento, desconfio neste momento que eu perca muita energia não só pelo desgaste físico das minhas atividades diárias, mas por estar há muitos anos trabalhando minha mente num fluxo invertido de energia, e portanto é esse fluxo que me é familiar. É muito fácil cair nele novamente. Por isso a necessidade de constância nos treinos é fundamental, para que eu me familiarize com o fluxo natural, passando a me reconectar com mais facilidade, até que isso seja mais simples. Mas ainda sinto muita dificuldade em me manter conectada por um longo tempo depois dos treinos.

E também percebo que sou bastante insegura e desconfiada das minhas próprias sensações, porque algumas vezes me vi calada diante do espaço que o Professor oferece para que os alunos comentem suas experiências, achando que eu não tinha nada para contar. Mas depois eu ouço as outras pessoas e reconheço na experiência delas aquilo que eu também vivenciei mas não acreditei. Como se fosse mais fácil confiar nas minhas sensações depois que elas já foram legitimadas nas palavras de outras pessoas. Essa ficha me caiu na aula anterior, e acho que ter percebido isso vai destravar algum lugar importante para mim.

Eu tenho sentido mais claramente a conexão pelo topo de cabeça, e parece que consigo ajustar meu pescoço de uma forma que eu sinta a passagem de energia livre para que ela desça nesse caminho. Recentemente o abraço de árvore ganhou muito mais brilho, e na última aula eu senti um aquecimento maior do que das outras vezes. Antes parecia que só as mãos esquentavam, e agora parece um calor mais profundo, no peito e nas pernas.

Na meditação eu tenho dificuldade em encontrar o Lin Tai, mas fazendo o exercício do reforço eu consigo percebe-lo mais facilmente, depois que a energia sobe por traz da coluna e chega até ele. Quando eu consigo me conectar na meditação, a sensação depois é de um silêncio interno mais denso, e só por uma única vez eu tive a sensação de um grande clarão e a sensação de uma queda, e nesse dia eu adormeci logo em seguida sem nem lembrar de colocar o despertador. Mas a minha desconfiança das minhas próprias sensações me deixou a dúvida se isso era uma boa conexão ou um sono profundo.

De duas semanas pra cá eu comecei a sentir uma leve alteração na lombar, como se começasse a ter algum espaço pra fluir alguma energia que não passava há mais de dez anos, desde as minhas lesões mais sérias. Acho que é como se essa região começasse a “respirar” um pouco mesmo.

Olhar para dentro tem sido um desafio e eu sei que é a única porta por onde eu posso entrar para acessar o caminho.

As aulas que tenho dado tem servido para clarear muito minhas ideias, porque faço conexões na minha cabeça e preciso verbaliza-las. O que eu digo para os alunos eu também estou dizendo a mim. E eu me sinto útil em poder ser o meio para apresentar para eles essas ferramentas que também estou começando a aprender a manusear agora.

 

10/05/2016  Flávia Lucato Castardelli

 

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