Relato sobre Capítulo 11 do Tao Te Ching – Aula de Tai Chi no dia 30/11/2013

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Este capítulo reforça a importância do “vazio”. Os raios de uma roda só conseguem exercer a sua função pelo fato de conter um vazio no centro. O bule tem a sua  importância por ser oco por dentro, assim como uma casa ou qualquer edificação: a função de proporcionar abrigo/segurança só é obtida por estar vazia /oca por dentro. Façamos uma analogia para a nossa mente: a mente cheia (de pensamentos, de ideias, de preocupações) não nos permite raciocinar de forma clara e tranquila; já a mente vazia (livre de pensamentos desnecessários, livre de preocupações) nos proporciona a possibilidade de obter mais ensinamento, receber e perceber de forma mais organizada e clara as informações que vem até nós.

Este “vazio” só pode ser obtido por meio da meditação, sendo que um dos primeiros passos para isso é a visualização do ponto de energia do Tan Tien (região 3 dedos abaixo do umbigo)precedido pelo Lin Tai (região central dos olhos . Uma das formas  para conseguir iniciar os primeiros passos da meditação é o equilíbrio de energia. Se uma pessoa apresenta muitos e/ou intensos bloqueios de energia, essa interrupção do fluxo de energia não nos permite relaxar e conseguir meditar. Prof Tsai sempre nos reforça: a constância do treino é a melhor forma para conseguir esses benefícios: o desbloqueio de energia, conseguir meditar e atingir o “vazio”.

Acrescento que eu mesma ainda não consigo meditar, não consigo nem visualizar o primeiro ponto entre os olhos. No entanto, deixo o meu relato sobre uma vivência bastante interessante deste último sábado. Há algumas semanas atrás tinha parado de meditar em casa, pois entendi que ainda não estava preparada para esse processo; sempre que tentava meditar acabava sentindo um desconforto (uma espécie de pressão/peso) na região central entre os olhos. Neste sábado, na meditação em grupo, apesar de ainda não ter conseguido visualizar o ponto entre os olhos, não senti o desconforto nessa região e ao término da meditação senti que os meus olhos não paravam de lacrimejar. Naquele mesmo instante veio-me à mente a seguinte informação: senti uma necessidade imensa de fechar os olhos, de parar de enxergar tanta coisa, de descansar e esvaziar a mente. Para mim, foi algo bastante profundo e compartilho com todos.

Iracema Umeda

E-Mail: iikumeda@hotmail.com

*Texto elaborado pela aluna: Iracema Umeda